Por Ana Paula Mota
Nos dias 14 e 15 de março acontece a estréia do espetáculo Preciso Olhar, pela Cia de Teatro Nu Escuro, que em 2009 comemora seus 13 anos, e convida Henrique Rodovalho, um dos mais conceituados coreógrafos brasileiros, para novamente ingressar no universo do Teatro. O evento acontece no Teatro Goiânia, e é realizado com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Preciso Olhar é um trabalho autêntico, escrito coletivamente, e, a seu propósito, toca o tema identidade: identidade humana; identidade dos atores que formam o elenco; identidade da região brasileira em que surge o teatro da Nu Escuro; identidade do próprio teatro. Quanto a esta última identidade, a nova obra pode ser apreciada de diversas maneiras, mas, principalmente, como um espetáculo metalingüístico. Esta qualidade, de falar sobre o teatro através do teatro, pode tornar a peça uma referência na contígua trajetória de elaborações deste grupo.
O espetáculo será o carro-chefe de uma nova fase da Nu Escuro, em que a Cia intensifica sua agenda nacional e internacional, e aposta em uma linguagem contemporânea, que inclui a utilização de vídeos, e uma iluminação muito específica do trabalho de Henrique Rodovalho. “Este namoro com o Henrique já vem de longa data. Mas sempre ocorreu um desencontro de agendas. O que sempre nos chamava a atenção do trabalho do Rodovalho era a qualidade final da obra, sempre limpas, coerentes, de muito bom gosto e extremamente profissionais. Preciso Olhar será um divisor de águas na Cia Nu Escuro, por essa estética urbana, contemporânea”, diz Hélio Fróes.
Mas, mesmo com nova roupagem, o grupo não perde suas características mais marcantes, que o consagraram como uma das mais importantes companhias de teatro de nosso estado: o tom provocativo de seus trabalhos; a invocação a temas recorrentes ao cotidiano do povo brasileiro; e as boas doses de humor. Para exemplificar o clima com que chegará ao teatro essa nova criação, citamos uma das frases com que os atores iniciam a apresentação: “... Outra potencialidade turística de Goiás são as cidades de Caldas Novas e Rio Quente, a maior estância hidrotermal do mundo, que nos proporciona bons momentos e belas conjuntivites”.
Um coreógrafo no Teatro
Henrique, mais conhecido por seu trabalho como coreógrafo da Quasar Cia de Dança, já dirigiu outras peças teatrais, como A Terceira Margem do Rio, monólogo baseado na obra de Guimarães Rosa e interpretado pelo ator Guido Campos Corrêa. Criado em 1995, excursionou pelo sertão do País, participou de vários festivais de artes cênicas de cidades como Salvador, Recife, Curitiba e São José do Rio Preto e foi apresentado ainda em Lisboa, Costa Rica e na Itália. Em 2006, dirigiu a peça escrita por Léo Pereira, Traga-me bombons coloridos, interpretado Guido Campos Correa, Valéria Braga e Karla Braga.
Através de Preciso Olhar o coreógrafo-diretor se envolve em um momento muito especial da Nu Escuro, e conduz o grupo por uma estrada que ele próprio já percorreu. Quando Rodovalho coreografou para a Quasar o espetáculo “O+”, ele também, de maneira muito bem humorada, refletiu sobre a dança, através da dança. O que levou o público a conferir uma crítica de Rodovalho, ao seu próprio instrumento de criação.
“Esta é minha terceira experiência no Teatro, e a minha segunda experiência em falar sobre algo, através desse algo. É uma brincadeira muito rica, esse olhar para dentro...”, diz Henrique, que completa: “A trajetória das pessoas que fazem teatro é sempre algo surpreendente. Eu conheci estes atores quando ainda eram alunos da antiga Escola Técnica, e trabalhar com eles, desta forma, é instigante. A Nu Escuro já tem um conteúdo muito particular, utilizar de ferramentas que eles próprios criaram, ao longo de sua história, enriquece muito todo o processo.”
Identidade psicanalítica
E Entre tantas definições encontradas para a palavra identidade, uma delas caracteriza mais amplamente o que faz a Cia Nu Escuro em Preciso Olhar:
“Identidade é o funcionamento do indivíduo no sentido biopsicossocial - suas emoções, pensamentos e comportamentos de acordo com o ambiente em que vive, com a sua maneira de entender o mundo e com sua genética -. É o resultado das influências internas e externas ao longo da vida da pessoa.”
Sob este prima, Preciso Olhar também revela a trajetória dos atores, e tudo que os influenciou, individualmente, para se encontrarem no palco da peça, interpretando.
Neste momento o expectador poderá conhecer um pouco mais sobre Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim.
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