domingo, 21 de dezembro de 2008

Bem... acabou o ano...

Pois é... amigos nu escuro!
O ano está acabando...
E foi muito bom para o grupo!
Participamos de vários festivais importantes pelo país;
Recebemos muitas críticas elogiosas;
Fizemos várias pequenas temporadas no Teatro Goiânia Ouro;
E começamos a montar o nossos próximo espetáculo...
Com o título provisório de SSPGO, tem a direção de Henrique Rodovalho e estreará em março de 2009!!!
Aguardem!!!
Feliz Natal e um ano novo ducaralho!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um Teatro de bom Recife 2008

Não poderia começar de melhor maneira, atribuir um titulo de prenuncia estranha para um evento de nome não tão pronunciável: Festival Recife do Teatro Nacional. Não sei porque, mas tinha a sensação de toda vez que fosse anunciar o Festival que iria tropeçar no nome... o que de fato aconteceu muito.
Bom, deixa eu situar . Estou falando do festival de teatro que aconteceu neste mês de novembro na maravilhosa cidade do Recife, capital pernambucana e que a Cia de Teatro Nu Escuro foi convidada e eu tive o grande prazer de acompanhar como técnico “pau para qualquer hora”.
Foi surpreendente essa passagem nesse festival, que com certeza deve ter seus imensos problemas, criticas locais e etc, mas que ao olhar de um convidado pode-se perceber inúmeras qualidades. O respeito para com os grupos foi notável, passagens áreas, hotel de melhor qualidade, transportes disponíveis e sem atrasos, programação diversificada, pessoas interessantes e tratamento vip, no entanto, o que mais me chamou atenção e que me fez emocionar, foi a tão querida homenagem a uma figura por demais respeitada na cena teatral pernambucana. Me refiro a Geninha da Rosa Borges, “uma mulher chamada teatro”, como bem definiu o texto de abertura do folder do Festival. Uma linda jovem senhora, que cordialmente assistiu a nossa primeira apresentação em terras pernambucanas num clima de estréia, conhecimento, presença de importantes figuras do teatro nacional e lá estava Geninha, com seus setenta e muitos anos, sentadinha em um lugar na sombra de um escaldante dia de sol numa manhã de domingo. Sua presença nos irradiou e assim foi com todos grupos que apresentaram no ”seu” Festival. Aonde tinha apresentação, tinha a presença marcante de Geninha, prestigiando os grupos convidados.
Venho aqui para falar bem e uma virtude nobre do festival foi o aparente caráter popular do evento, a idéia de formação de platéia foi seguido pelo menos na questão de preços de ingressos, onde todas as apresentações nos vários teatros da cidade não ultrapassava cinco reais e em muitos, inclusive na representante global do festival,custeou apenas um real. Outro marco importante foi a posposta de espetáculos descentralizados, aí que entra a Nu na história, que revezou com outro grupo nas apresentações de rua nos bairros mais periférico da cidade.
Esse conjunto de ações aponta para uma significante ação social do festival e mesmo que haja visto falhas na parte de divulgação, principalmente na periferia da cidade, onde poucos sabiam noticias do festival, a tentativa de universalização do teatro me pareceu interessante. Aproveito a oportunidade para fazer uma critica ao Goiânia em Cena, a variante de festivais nacionais em Goiânia, que elitiza a participação do público cobrando preços nada populares e restringe as apresentações a alguns poucos teatros.
E em falar em Goiás, queria dedicar essas ultimas linhas para a Cia de teatro Nu Escuro, que responsavelmente participou deste festival, onde soube representar formosamente o teatro goiano, para não dizer a cultura goiana e que integralmente cumpriu todas as apresentações nas praças de Recife com muitos elogios e aplausos.
Acompanho “ O Cabra que matou as cabras”, desde seus pensamentos e de várias formas pude contribuir com esse trabalho, seja na pesquisa, seja na técnica, seja apenas vendo. E em Recife cada apresentação era um novo espetáculo, tivemos a oportunidade de apresentar num curto espaço de tempo nove espetáculos do Cabra, cheguei muitas vezes ter a impressão de estar convivendo, fora das apresentações, com os próprios personagens da peça, de tão incorporado estava a Nu naqueles dias. De todo coração, parabéns a essa trupe e obrigado por esses momentos de prazer.
Bruno Garajau – Historiador e de quando em vez técnico da Cia de Teatro Nu Escuro

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um espetáculo inesquecível de Goiás

O Cabra em Recife. Foto de Val Lima.


A grande revelação do XI Festival Recife do Teatro Nacional foi a Cia. Teatro Nu Escuro com a montagem “O cabra que matou as cabras”.
Neste espetáculo inspirado na farsa medieval A farsa do advogado Pathelin, vemos uma esposa maliciosa que engana seu marido advogado, que engana um comerciante ganancioso, que engana um juiz. Todo esse jogo farsesco é acompanhado por recursos vindos do universo popular e pop.
Com um grande poder de mistura, a dramaturgia realizada pelo grupo é extremamente aberta para a participação dos espectadores. Um alto grau de sofisticação dramatúrgica que sabe dosar o grotesco e o sublime.
A excelente encenação de Hélio Fróes consegue estabelecer muito claramente seus recursos de hibridização de culturas, apoiado principalmente na habilidosa musicalidade e no trabalho dos atores.
A cenografia e os figurinos são um espetáculo à parte, pois fazem o olho do espectador entender sensorialmente como somos uma série de jogos entre ser e parecer. Isso fica evidente na excelente caracterização das personagens através dos figurinos. Vemos as identidades das personagens presentes no figurino como retalhos de suas histórias teatrais.
O trabalho dos atores é um ponto muito forte neste espetáculo do Teatro Nu Escuro, pois consegue tirar proveito de todas as possibilidades de interações com a platéia. Mas é Abilio Carrascal quem mais consegue fazer com precisão esse jogo. E posso afirmar que o trabalho de Abilio é um dos melhores trabalhos interpretativos deste festival e talvez do ano de 2008 no teatro brasileiro.
Abilio nesta montagem é um exímio comediante (arte rara em nosso teatro – a arte do verdadeiro ator), que sabe dominar todos os seus recursos expressivos, seus conhecimentos sobre as ações da peça e principalmente seu fascinante diálogo com os espectadores (esse último fator é muito difícil, inclusive hoje em nosso teatro brasileiro abarrotado de recursos narrativos, sempre temos atores que utilizam falsamente esse diálogo com a platéia, o que não é o caso desse excelente ator). Espero que mais espectadores possam ver esse maravilhoso trabalho interpretativo.
A montagem da Cia. de Teatro Nu Escuro para o texto A farsa do advogado Pathelin é um exemplo muito significativo da força do teatro de rua e seu grande poder de renovação e diálogo com os novos procedimentos cênicos.

Wellington Júnior
Crítico Teatral
Recife, novembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"O Cabra..." e "Carro Caído"

Cia de teatro Nu Escuro

Apresenta


O CABRA QUE MATOU AS CABRAS
(em novembro/2008 participou do XI Festival Recife do Teatro Nacional
e na 3ª Mostra Lino Rojas, em São Paulo)

05 e 06 de dezembro
Às 21 horas


E


CARRO CAÍDO
(em outubro/2008 participou do Litoral Encena – Caraguatatuba/SP)

07 de dezembro
Às 20 horas



Teatro Goiânia Ouro
Rua 3 c/ 9, centro
informações: Tel.: (62) 3524-2542

Preços Populares!
R$ 10,00
R$ 5,00 (Estudantes, idosos, professor da rede pública.)

Carta da Rede Brasileira de Teatro de Rua


A Cia de Teatro Nu Escuro participou do 4º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, em São Paulo, com articuladores de 18 estados. Presença de Amir Haddad.
Foto de Lívia Lisbôa




CARTA DA REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA

A Rede Brasileira de Teatro de Rua criada em março de 2007, em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os artistas-trabalhadores e grupos pertencentes a ela podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, suas ações e pensamentos.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus membros farão, ao menos, dois encontros anuais. Os coletivos devem se organizar para enviarem articuladores para os encontros presenciais.
O papel de cada integrante é ampliar a rede através da criação de movimentos regionais de teatro de rua, bem como da manutenção dos já existentes.
A missão da Rede Brasileira de Teatro de Rua é lutar por políticas públicas de cultura com investimento direto do Estado em todas as instâncias: Municípios, Estados e União. E para garantir o acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros a Rede Brasileira de Teatro de Rua tem por objetivo promover também a produção, difusão, formação, registro, circulação e manutenção de grupos de teatro de rua e de seus fazedores, construindo assim um país mais justo.
Os articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua dos estados AC, AM, CE, BA, ES, GO, MA, MG, PA, PE, PR, RJ, RR, RN, RO, RS, SC e SP reunidos nos dias 14, 15 e 16 de novembro de 2008, em São Paulo, no 4º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, vêm através deste documento, afirmar ações e propostas, exigindo assim:
· A representação do teatro de rua, no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC);
· A representação do teatro de rua, no Colegiado Setorial;
· A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03, que vincula para a cultura, o mínimo de 2% no orçamento da União, 1,5% no orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% no orçamento dos municípios;
· O direito de indicação de representantes de teatro de rua nas comissões dos editais públicos;
· A extinção da Lei Rouanet e de qualquer mecanismo de financiamento que utilize a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve se dar através do financiamento direto do estado, por meio de programas e editais em forma de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;
· A criação de um programa específico que contemple: produção, circulação, formação, registro, documentação, manutenção e pesquisa para o teatro de rua;
· A criação imediata de um edital para a circulação de espetáculos de teatro de rua, constituindo-se assim um circuito nacional de teatro de rua;
· Que os espaços públicos (ruas, praças e parques, entre outros), sejam considerados equipamentos culturais e assim contemplados na elaboração de editais de políticas públicas e no Plano Nacional de Cultura;
· A extinção de toda e qualquer cobrança de taxas, bem como a desburocratização para as apresentações de teatro de rua garantindo assim o direito de ir e vir e a livre expressão artística conforme nos garante a Constituição Federal Brasileira no artigo 5º;
· A criação de um programa nacional de ocupação de imóveis públicos ociosos, para sediar o trabalho e a pesquisa dos grupos de teatro.

O teatro de rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, conclamamos a todos os artistas-trabalhadores e a população brasileira para a mobilização nacional da Rede Brasileira de Teatro de Rua, no dia 27 de março de 2009, no intuito de construir políticas públicas para esta arte.


São Paulo, 16 de novembro de 2008.

Rede Brasileira de Teatro de Rua