PROGRAMAÇÃO
Dia 7 de maio- quinta-feira
10h - Carroça de mamulengos “História de Teatro e Circo”
Juazeiro – CE
Praça do Porto
11h - Cia Chegança “A mulher que vendeu o marido por 1,99”
São Luis – MA
Rua do Comercio e Praça do Papão
12h às 16h – Performances
Rua do Comercio e Praça do Papão
Pedro Olaia “O barato é aqui” Belém – PA
“Apóstolo Paulo” – Cia das sombras – Angra dos Reis – RJ
“Pensamentos Reflexivos” – Bruno Marque e Fabrício Lopes – Angra dos Reis – RJ
“Os invisíveis” - Cia Álacre – Angra dos Reis – RJ
“Os retirantes” - Marlene Ponciano – Angra dos Reis – RJ
“Simplesmente Empadinha” - Cia Palhaçologistas – Angra dos Reis – RJ
“Dança das cadeiras” – Grupo Teatro de Operações – Rio de Janeiro – RJ
“promoção de Foto 3x4 – Cia Show de Cenas – Angra dos Reis – RJ
“Pesquisando o seu Senso” - Evelyn Ramos e Flaviana Ayres – Angra dos Reis – RJ
“A Troca” - Conceição Correia – Angra dos Reis – RJ
“Contação de histórias” – Glauter Barros – Angra dos Reis - RJ
16h Concentração do cortejo
Casa da Cultura
17h-Cortejo pelas ruas da cidade
Casa da Cultura, Rua do Comercio, Rua Arcebispo Santos, Praça Nilo Peçanha, Professor Lima, Porto, Estação Santa Luzia, Praça do Carmo, Rua do comercio e Casa da Cultura.
19h - Abertura oficial
Praça da Matriz
20h – Irmãos Brothers “15 anos de Irmãos Brothers”
Rio de Janeiro - RJ
21h – Inauguração do ponto de Encontro com Lançamento de Livros e Homenagem a Augusto Boal e Almir Haddad.
Clube Comercial
Dia 8 de maio- sexta-feira
10h - Cia Mamulengo da Folia - “A Folia no Terreiro de Seu Mané Pacaru”
São Paulo – SP
Praça do Porto
11h às 16h – Performances
Rua do Comercio e Praça do Papão
"Lençóis desarrumados” - Cia Vacivu – Betim – MG
Pedro Olaia “O barato é aqui” Belém – PA
"Os charlatões mais sinceros do mundo” - Cia 2 banquinhos – Rio de Janeiro – RJ
“Zé Ninguém – O homem de papel” - Dalmo Saraiva – Rio de Janeiro – RJ
“Pelas Ruas” - OJT – Rio de Janeiro – RJ”
“O trem” - Angra Cia de teatro – Angra dos Reis – RJ
“O manipulador e a Boneca” - Letícia Issene – Angra dos Reis – RJ
“Despacho” - Monique Eucário – Angra dos Reis – RJ
“Doce Deleite” - Fábrika do Entretenimento – Angra dos Reis – RJ
“A mulher que grita, rodopia e cai” - Lucy Mafra – Rio de Janeiro – RJ
“Jogos da Vida” Carmem Zanatta – Rio de Janeiro – RJ
“Os assombrados” – Trupe do Descoco – Angra dos Reis - RJ
11 às 12h- Dança Afro
Grupo Gente de Teatro da Bahia
Clube Comercial
14h – Seminário I
A Rede Brasileira de Teatro de Rua e o Poder Publico
Casa de Cultura
16h - Grande Cia Brasileira de Mystérios e Novidades - “Ciclopes”
Rio de Janeiro – RJ
Praça do Mercado
18h – Cia Gente de Teatro da Bahia - “Cordel do Pega pra cá”
Salvador - BA
Praça da Matriz
20h – Cia da Lua “A Lenda da Bica da Carioca”
Angra dos Reis - RJ
Bica da Carioca
21h – Cia de Teatro Nu Escuro - “O Cabra que matou as Cabras”
Goiânia-GO
Praça da Matriz
Dia 9 de maio - sábado
10h – Seminário II
Festivais de Teatro do Estado do Rio de Janeiro
Perspectivas e Organização
Casa da Cultura
13h as 16h – Oficina de Teatro de Rua (com Amir Haddad)
Praça do Porto
17h – Grupo Pombas Urbanas - “Histórias para serem Contadas”
São Paulo - SP
Praça da Matriz
18h30 – Grupo Arte da Comédia - “Aconteceu no Brasil, Enquanto o ônibus não vem”
Curitiba - PR
Praça do Porto
20h – Experiência Subterrânea - “Circo Negro”
Florianópolis _SC
Rua do Comércio e Praça do Papão
21h – Coletivo Pulso “Hai-Kai – Somente as nuvens nadam no fundo do rio”
Belo Horizonte - MG
Praça do Mercado Municipal
Dia 10 de maio- domingo
16h – Galpão Cine Horto - “ Arande Gróvore”
Belo Horizonte - MG
Praça do Porto
17h – Circos Nosotros - “Famiglia Milan e o Gran Circo Guaraná com Rolha”
Santos - SP
Praça da Matriz
19h – Grupo de Teatro Andante - “A História Trágica de Édipo Rei”
Belo Horizonte - MG
Praça do Mercado Municipal
quinta-feira, 30 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
CARTA DE ARCOZELO
A Rede Brasileira de Teatro de rua reunida na Aldeia de Arcozelo, Paty do Alferes, Rio de janeiro, após 509 anos de domínio ideológico, resgatando a importância histórica e, inspirado no sonho do saudoso Paschoal Carlos Magno, vem afirmar por meio deste documento a luta pela possibilidade de uma nova ordem, por um mundo socialmente mais justo.
Nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2009, no seu 5º encontro, a Rede reafirma sua missão: de lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado em todas as instâncias: municípios, Estados e União, para garantir o direito à produção e o acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua criada em março de 2007, em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os artistas-trabalhadores e grupos pertencentes a ela podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, suas ações e pensamentos.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus membros farão, ao menos, dois encontros anuais. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para participarem dos Encontros.
Os articuladores da REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA dos estados do AC, AL, CE, BA, ES, GO, MA, MG, PA, PR, RJ, RR, RN, RO, RS e SP, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:
· A representação do teatro de rua, nos Colegiados Setoriais e Conselhos das instâncias municipal, estadual e federal;
· A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03, que vincula para a cultura, o mínimo de 2% no orçamento da União, 1,5% no orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% no orçamento dos municípios;
· O direito a indicação de representantes do teatro de rua nas comissões dos editais públicos;
· A extinção da Lei Rouanet e de qualquer mecanismo de financiamento que utilize a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve se dar através do financiamento direto do Estado, por meio de programas e editais em forma de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade; Para tanto em apoio ao movimento 27 de março sugerimos modificações no PROFIC (anexo);
· A criação de um programa específico que contemple: produção, circulação, formação, registro, documentação, manutenção e pesquisa para o teatro de rua;
· Que os espaços públicos (ruas, praças e parques, entre outros), sejam considerados equipamentos culturais em assim contemplados na elaboração de editais de políticas públicas e no Plano Nacional de Cultura;
· A extinção de toda e qualquer cobrança de taxas, bem como a desburocratização para as apresentações de teatro de rua garantindo assim o direito de ir e vir e a livre expressão artística;
· Queremos construir uma política de Estado em contraponto a políticas de eventos que o mercado vem nos impingindo. As iniciativas de governo em criar editais para as artes devem ser transformados em leis para a garantia de sua continuidade.
O Teatro de rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial de teatro e circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas e conclamamos os artistas-trabalhadores e a população brasileira a lutarem pelo direito á cultura e a vida.
“O país se apresenta pelo teatro que representa”. (Paschoal Carlos Magno)
22 de abril de 2009
Aldeia de Arcozelo, Paty do Alferes, Rio de Janeiro
Rede Brasileira de Teatro de Rua
Anexo
Modificações no PROFIC
Art. 2º...
...
V. - Programas setoriais de artes, criados por leis especificas, com orçamentos e regras próprias.
(...)
§ 2º Fica instituído o programa Prêmio Teatro Brasileiro a ser definido em Lei específica, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento do teatro brasileiro e o melhor acesso da população ao mesmo, através do fomento a:
I – Núcleos artísticos teatrais nas suas diversas modalidades, com trabalho continuado;
II – Produção de espetáculos teatrais nas suas diversas modalidades;
III – Circulação de espetáculos e/ou atividades teatrais nas suas diversas modalidades.
(...)
Art. 9º
I – Dotações consignadas na Lei orçamentária anual e seus créditos adicionais, nunca inferiores ao montante da renuncia fiscal disponibilizada para o incentivo de que trata o capitulo III desta Lei, garantido o mínimo correspondente a 50% (cinquenta por cento) do orçamento do Ministério da Cultura.
Nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2009, no seu 5º encontro, a Rede reafirma sua missão: de lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado em todas as instâncias: municípios, Estados e União, para garantir o direito à produção e o acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua criada em março de 2007, em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os artistas-trabalhadores e grupos pertencentes a ela podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, suas ações e pensamentos.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus membros farão, ao menos, dois encontros anuais. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para participarem dos Encontros.
Os articuladores da REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA dos estados do AC, AL, CE, BA, ES, GO, MA, MG, PA, PR, RJ, RR, RN, RO, RS e SP, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:
· A representação do teatro de rua, nos Colegiados Setoriais e Conselhos das instâncias municipal, estadual e federal;
· A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03, que vincula para a cultura, o mínimo de 2% no orçamento da União, 1,5% no orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% no orçamento dos municípios;
· O direito a indicação de representantes do teatro de rua nas comissões dos editais públicos;
· A extinção da Lei Rouanet e de qualquer mecanismo de financiamento que utilize a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve se dar através do financiamento direto do Estado, por meio de programas e editais em forma de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade; Para tanto em apoio ao movimento 27 de março sugerimos modificações no PROFIC (anexo);
· A criação de um programa específico que contemple: produção, circulação, formação, registro, documentação, manutenção e pesquisa para o teatro de rua;
· Que os espaços públicos (ruas, praças e parques, entre outros), sejam considerados equipamentos culturais em assim contemplados na elaboração de editais de políticas públicas e no Plano Nacional de Cultura;
· A extinção de toda e qualquer cobrança de taxas, bem como a desburocratização para as apresentações de teatro de rua garantindo assim o direito de ir e vir e a livre expressão artística;
· Queremos construir uma política de Estado em contraponto a políticas de eventos que o mercado vem nos impingindo. As iniciativas de governo em criar editais para as artes devem ser transformados em leis para a garantia de sua continuidade.
O Teatro de rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial de teatro e circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas e conclamamos os artistas-trabalhadores e a população brasileira a lutarem pelo direito á cultura e a vida.
“O país se apresenta pelo teatro que representa”. (Paschoal Carlos Magno)
22 de abril de 2009
Aldeia de Arcozelo, Paty do Alferes, Rio de Janeiro
Rede Brasileira de Teatro de Rua
Anexo
Modificações no PROFIC
Art. 2º...
...
V. - Programas setoriais de artes, criados por leis especificas, com orçamentos e regras próprias.
(...)
§ 2º Fica instituído o programa Prêmio Teatro Brasileiro a ser definido em Lei específica, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento do teatro brasileiro e o melhor acesso da população ao mesmo, através do fomento a:
I – Núcleos artísticos teatrais nas suas diversas modalidades, com trabalho continuado;
II – Produção de espetáculos teatrais nas suas diversas modalidades;
III – Circulação de espetáculos e/ou atividades teatrais nas suas diversas modalidades.
(...)
Art. 9º
I – Dotações consignadas na Lei orçamentária anual e seus créditos adicionais, nunca inferiores ao montante da renuncia fiscal disponibilizada para o incentivo de que trata o capitulo III desta Lei, garantido o mínimo correspondente a 50% (cinquenta por cento) do orçamento do Ministério da Cultura.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Digital do território do eu
Uma resenha da estréia do novo espetáculo da Cia de Teatro Nu Escuro
Enfim saiu! Duras semanas de ensaios, muita concentração, dedicação, disposição, e, depois de uma boa gozada,o prazer e a emoção. A experiente Cia de Teatro Nu Escuro estreou seu novo espetáculo, “Preciso Olhar” , direção de Henrique Rodovalho, algo muito esperado pela cena local. Como resultado desse anunciado, uma boa apresentação, que não receberia um excelente ainda pelo fato de ser o inicio de um grande feito e com possibilidades de mudanças nas apresentações que ainda estão por vim.
A mistura de olhares foi o grande marco deste espetáculo e o resultado foi a miscelânea de linguagens em torno de um foco: identidade. Rodovalho como convidado especial atendeu as expectativas e soube dirigir tecnicamente e conceitualmente essa grande obra. No entanto, confesso que me deu um friozinho na barriga em ver esse resultado de olhares se edificando. Fui um dos pouco que teve a oportunidade de ver antecipadamente o processo em construção e nos ensaio gerais pude perceber que a obra ainda não tinha terminado. Não conseguia ainda perceber seu estilo – se é que é preciso definir algo; um drama, uma comédia, teatro contemporâneo, dança-teatro, não sei, mas algo que pudesse nos instigar a saber o que poderia sair em um encontro interessante de boas cabeças.
Nas apresentações a surpresa; um espécie de drama- comédia. Não nega-se a dosagem cômica da peça, não sei se intencional, mas a resposta do público foi de muitos risos e boas gargalhadas, um resultado comum para a Cia. De inicio até achei alguns textos longos e dispersos, no entanto, se tornou útil para quebrar essa toada cômica do espetáculo.O Drama, fica por conta dos textos dos “eus”, onde os atores puderam dar o melhor de si, digo literalmente, pois a peça simplesmente dá o olhar intimo de cada ator ou cada personagem nesse caso.
As atuações, um grande desafio; interpretar –se como personagem, uma grande lição para a trupe, pois falar de nos mesmos não é fácil. Nisso todos fizeram bem seus “próprios” papeis. Tuim, com surpreendentes movimentos teve uma atuação destacada; Adriana, em seus dasabafos emotivos sempre bem gestuosos, uma experiente atriz; Hélio Fróes, um cara objetivo e com personalidade; enfim, minha amiga Izabela Nascente, adoravelmente apaixonada, onde pude sentir emoção e verdade, dosada claro de certa tensão e até descontração, mas ao falar de si explorou as coisas que tem paixão, sua família, suas marcas e suas loucuras, foi muito bem obrigado.
Mas a peça não é só um divã oportuno para os atores e o diretor, ela pronuncia sobre nossa cidade, nosso espaço cotidiano, que por acaso é de quase todos que assistiram o espetáculo na estréia. Não foi mais um grupo ou artista falando de Goiânia e Goiás, típico bairrismo muito valorizada pela goianidade de plantão, mas o tom cômico e até irônico nos instigou a ter mais vontade de saber mais sobre nossa identidade e nossas coisas, algo que alguém de fora não se incomodaria pela sutileza que foi dada.
A composição cênica com intervenções áudio-visuais misturada com a definição objetiva da luz, recheada com boa atuação e direção, não resta dúvida que merece atenção da critica teatral, dos fazedores e apreciadores dessa arte. Vale a pena a ver e conhecer esse olhar, nossa digital artística e filosófica...
Intés.
Bruno Garajau Dantas – Historiador, ativista cultural. Um goiano; apreciador da arte teatral
Enfim saiu! Duras semanas de ensaios, muita concentração, dedicação, disposição, e, depois de uma boa gozada,o prazer e a emoção. A experiente Cia de Teatro Nu Escuro estreou seu novo espetáculo, “Preciso Olhar” , direção de Henrique Rodovalho, algo muito esperado pela cena local. Como resultado desse anunciado, uma boa apresentação, que não receberia um excelente ainda pelo fato de ser o inicio de um grande feito e com possibilidades de mudanças nas apresentações que ainda estão por vim.
A mistura de olhares foi o grande marco deste espetáculo e o resultado foi a miscelânea de linguagens em torno de um foco: identidade. Rodovalho como convidado especial atendeu as expectativas e soube dirigir tecnicamente e conceitualmente essa grande obra. No entanto, confesso que me deu um friozinho na barriga em ver esse resultado de olhares se edificando. Fui um dos pouco que teve a oportunidade de ver antecipadamente o processo em construção e nos ensaio gerais pude perceber que a obra ainda não tinha terminado. Não conseguia ainda perceber seu estilo – se é que é preciso definir algo; um drama, uma comédia, teatro contemporâneo, dança-teatro, não sei, mas algo que pudesse nos instigar a saber o que poderia sair em um encontro interessante de boas cabeças.
Nas apresentações a surpresa; um espécie de drama- comédia. Não nega-se a dosagem cômica da peça, não sei se intencional, mas a resposta do público foi de muitos risos e boas gargalhadas, um resultado comum para a Cia. De inicio até achei alguns textos longos e dispersos, no entanto, se tornou útil para quebrar essa toada cômica do espetáculo.O Drama, fica por conta dos textos dos “eus”, onde os atores puderam dar o melhor de si, digo literalmente, pois a peça simplesmente dá o olhar intimo de cada ator ou cada personagem nesse caso.
As atuações, um grande desafio; interpretar –se como personagem, uma grande lição para a trupe, pois falar de nos mesmos não é fácil. Nisso todos fizeram bem seus “próprios” papeis. Tuim, com surpreendentes movimentos teve uma atuação destacada; Adriana, em seus dasabafos emotivos sempre bem gestuosos, uma experiente atriz; Hélio Fróes, um cara objetivo e com personalidade; enfim, minha amiga Izabela Nascente, adoravelmente apaixonada, onde pude sentir emoção e verdade, dosada claro de certa tensão e até descontração, mas ao falar de si explorou as coisas que tem paixão, sua família, suas marcas e suas loucuras, foi muito bem obrigado.
Mas a peça não é só um divã oportuno para os atores e o diretor, ela pronuncia sobre nossa cidade, nosso espaço cotidiano, que por acaso é de quase todos que assistiram o espetáculo na estréia. Não foi mais um grupo ou artista falando de Goiânia e Goiás, típico bairrismo muito valorizada pela goianidade de plantão, mas o tom cômico e até irônico nos instigou a ter mais vontade de saber mais sobre nossa identidade e nossas coisas, algo que alguém de fora não se incomodaria pela sutileza que foi dada.
A composição cênica com intervenções áudio-visuais misturada com a definição objetiva da luz, recheada com boa atuação e direção, não resta dúvida que merece atenção da critica teatral, dos fazedores e apreciadores dessa arte. Vale a pena a ver e conhecer esse olhar, nossa digital artística e filosófica...
Intés.
Bruno Garajau Dantas – Historiador, ativista cultural. Um goiano; apreciador da arte teatral
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Identidade
A Cia. de Teatro Nu Escuro surgiu como núcleo de teatro na ex-ETFG na década de 1990. Apesar de Henrique Rodovalho ter sido professor na instituição, o convite para direção de uma montagem foi feito uma década depois.
A mais nova criação é algo inédito para o repertório da companhia. A começar pela direção que é assinada pelo renomado coreógrafo Rodovalho, da Quasar. Além de inexistir no palco personagens e, sim, personalidades.
Ao adentrar a sala de espetáculo, o público reconhece o estilo rodovalhiano de configurar um palco clean. Ele exercita a mescla do audiovisual e artes cênicas, junto com Michael Valim, criando uma instalação em vídeo com imagens de partes dos corpos dos atores, mas não desdobra o suporte e segue exibindo vídeos ao longo do espetáculo.
O público não deve esperar ver dança, dança-teatro ou qualquer outra variação das linguagens. Preciso Olhar é classificável como um bom exemplo de peça de teatro, embora a contemporaneidade mostre que rotular é perigoso, afinal, a proposta da Nu Escuro é apenas bater um papo franco e direto (ou quase uma “lavação de roupa suja”).
Fica ligeiramente incômodo ouvir confissões vindas de Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim, nomes próprios no palco e fora dele. Antes de abordar o indivíduo, a Cia. faz um recorte do conceito de ser humano (e goiano) e o localiza geograficamente na cartografia abdominal de Tuim.
Para quem se acostumou a “morrer de rir” nos espetáculos da companhia, vai ter que se contentar a se divertir com doses homeopáticas de bom humor, mas que ainda estão rigorosamente dentro do padrão de qualidade da Nu Escuro. As piadas estão entranhadas na apropriação dos discursos jornalístico, publicitário, teatral etc. dos inúmeros esquetes que os atores encenam para se desafiarem e questionarem a linguagem do teatro. Impagável o Rap da Enfezada. Isso tem que ser publicado no YouTube.
O cenário, embora tenha uma carga de informação necessária à montagem, parece ter tido problema de execução e não compôs harmonicamente o conjunto da obra, inclusive dificultou a visualização das projeções. Letycia Rossi criou um figurino que foi além da identidade e expressou intimidade. Preciso Olhar é espetáculo que a gente “precisa ver” de novo, para olhar mais atentamente o ser humano que se desnuda e mostra tudo aquilo que julga pertencer a sua identidade.
Rafael Ventuna
Especial para o DMRevista
Diario da Manha
01 de abril de 2009
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