domingo, 28 de fevereiro de 2010
LUTO
Entrevista com Hélio Fróes
http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Op%E7%E3oCultural&subsecao=Suplementos&idjornal=386
Nu Escuro desnudado
Entrevista com Hélio Fróes, feita pelo escritor e historiador Ademir Luiz.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Violência policial no carnaval de Goiânia IV
Carta de Repúdio
Sirvo-me desta para lamentar o que aconteceu na última sexta feira, após o encerramento de um desfile que se realiza há cerca de 4 anos, na sexta e no sábado de Carnaval, ocasião em que Goiânia , cidade sem essa tradição , apresenta nas ruas o que tem de melhor em termos de blocos de percussão, sendo que dois deles formados por crianças e adolescentes de comunidades carentes. Para garantir a segurança de todos, não era permitida a entrada de latinhas, garrafas, nem copos de vidro e as apresentações transcorreram num clima tranquilo, assistidas por famílias, crianças e jovens, não tendo havido qualquer incidente ou excesso, nenhuma desavença entre os presentes. A noite, que tinha tudo para se encerrar com todas as pessoas voltando para casa contentes, transformou-se de uma hora para outra em um filme de terror.
Não se sabe se apenas por despreparo ou por desequilíbrio, o que torna muitos deles inaptos para fazer uso de montaria, cassetete e armas de fogo, o que ocorreu, é que, na pressa de evacuar as pessoas do local onde havia terminado o evento, (em frente ao Mutirama), diversos policiais, com as mangas dobradas para não serem identificados, uns a pé, outros montados em seus possantes cavalos, fizeram uma varredura, ou seja, um verdadeiro arrastão, espalhando por onde passavam, além de susto e medo, spray de pimenta, acompanhado de palavras grosseiras. Mais tarde, na Delegacia, alegaram que o motivo foi um copo de cerveja (!!!!!!) jogado em um deles. Após agredirem dezenas de pessoas, não apenas com o spray, mas também com cassetetes, sem justificativa plausível, levaram cinco jovens para o primeiro DP. Quatro deles, muito conhecidos pela efetiva atuação na área cultural da cidade, participavam do evento, na sexta e no sábado, que era a execução de um projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, da Prefeitura de Goiânia.
A desproporção da violência e a covardia dos policiais gerou revolta nos presentes, que se dirigiram em massa para o referido DP e ali de fora passaram quase toda a madrugada protestando contra a truculência. Enquanto isso, não estando presentes onde deveriam estar, mas na porta do primeiro DP, com várias viaturas estacionadas e luzes piscando, num aparato visual que lembra aqueles ridículos filmes americanos, se ocupando em conter o justo protesto dos jovens, a dois quarteirões da delegacia, próximo ao local em que aconteceu o desfile, os bandidos de verdade se esbaldaram e, conforme informações, puderam impunemente praticar dois esfaqueamentos e uma tentativa de furto de carro. O pesadelo foi interrompido por volta das seis da manhã, tendo sido as vítimas, a essas alturas consideradas réus, liberadas, após serem submetidas a exame de corpo de delito no IML.
O relato que faço tem ligação direta com outros fatos semelhantes, que, não sei por qual motivo, eu e minha família nunca denunciamos. Moramos numa chácara em um bairro mais simples, considerado violento. Todos os meus filhos já foram submetidos com certa freqüência ao famoso “baculejo”, porém de maneira desrespeitosa e sempre acompanhado de gritos, intimidações e ameaças. No carnaval do ano passado, nesse mesmo evento, na Av. Araguaia, minha filha e uma amiga, que estava a trabalho, porque demoraram um pouco a sair, foram intimidadas covardemente por três policiais, que de cima de sua arrogância e de seus belos animais, cercaram-nas andando em círculos, ameaçando-as com os cavalos. Não se esqueçam que elas se encontravam em uma via pública (assim como todos os presentes ao evento de sexta feira), que todo cidadão tem, assegurado pela Constituição, o direito de ir e vir, e que não estamos em guerra, portanto, submetidos a toque de recolher. Mais ou menos na mesma época, meu marido e eu, num sábado à noite, bem vestidos, sentados no antigo Empório Badauy, no nobre Setor Oeste, fomos surpreendidos por quatro policiais, que desceram de uma kombi, e apontando as metralhadoras para ele, ordenavam aos berros que colocasse as mãos na cabeça. Chegamos a olhar para trás e para os lados pensando que se dirigiam a outra pessoa. Só se retiraram, alegando tê-lo confundido com um foragido da prisão(!), depois que os enfrentei dizendo ser advogada e que aquilo não era maneira correta de abordagem, nem se se tratasse de um bandido.
O problema é grave. Muitos devem estar acompanhando através dos meios de comunicação, uma série atos abusivos praticados por aqueles que têm a obrigação de proteger, e não de agredir os cidadãos. Sem falar nas execuções, posso citar recentemente, a abordagem grosseira feita à delegada Renata Chein, e , também a violência e o constrangimento por que passou o jornalista Batista Custódio, do Diário da Manhã, o que gerou dezenas de cartas de solidariedade dos diversos segmentos de nossa sociedade.
O que quero acrescentar é que somos, eu, meu marido, e meus cinco filhos e noras, uma família pacífica, ligada a manifestações culturais. Somos produtores e participantes de eventos voltados sobretudo para a música, a literatura e o cinema, dentro de enfoques sócio-ambientais. Em todas as vezes que fomos submetidos às intimidações citadas acima, nossos filhos, talvez por medo, foram os primeiros a nos pedir que não fizéssemos nada. Só que desta vez não dá mais para ficarmos calados. Esse infeliz episódio de sexta feira é o relato de uma mãe, que acompanhou o acontecido e seus posteriores desdobramentos envolvendo um dos seus filhos, que após ser gratuitamente atacado com spray de pimenta, foi agredido por trás. Ao ver o que estava acontecendo, minha nora, demonstrando uma coragem que poucos têm, ao tentar interferir para ajudar o marido que estava sendo asfixiado com uma gravata, foi agredida com cassetete e arrastada por alguns metros pelos policiais, que também lhe atiraram nos olhos spray de pimenta. Com o fôlego curto e a boca sangrando, causada por um soco, meu filho foi atirado num camburão, ilegalmente algemado, e levado para a primeira DP. Dos cinco detidos, três são freqüentadores de minha casa. Apenas não conheço o outro rapaz, chamado Gregório, que, devido a violência da agressão, teve que ser levado a um hospital onde foi diagnosticado traumatismo craniano. Soube depois, que ele é filho do conhecido Tarzan de Castro, ex- deputado, que possui uma biografia de lutas, e foi, na década de sessenta perseguido por integrantes do sanguinário regime militar.
Várias pessoas foram espancadas e empurradas, e pelo menos duas tiveram suas câmeras arrancadas das mãos e destruídas. Das mais de vinte pessoas que se submeteram a exame de corpo de delito para comprovação das agressões sofridas, conheço umas oito, e sei que são pessoas de bem, a maioria possui nível de escolaridade superior, e todos trabalham, estudam e produzem. Três delas são mulheres e estão cheias de escoriações e hematonas. A elas foi sugerido fazer uma denúncia junto à Delegacia da Mulher.
Há quem diga que devo me manter calada sobre esse episódio. Não vejo motivos porque, em primeiro lugar, o que relato já foi noticiado em todos os jornais da cidade, além de testemunhado por quase uma centena de pessoas, dentre elas jornalistas, artistas, políticos e formadores de opinião. Apesar da perda de farto material, tomado pela policia, comenta-se que ainda se salvaram fotos e filmes comprobatórios da violência ocorrida. Depois, os agressores devem ser suficientemente inteligentes para prever que serão os únicos suspeitos, caso qualquer dano venha a ser causado a algum dos vinte e tantos que foram agredidos fisicamente, já que não possuem inimigos, e muitos deles são filhos de pessoas de projeção na cidade. Tenho certeza que o comando superior dessa corporação, ao tomar conhecimento da realidade dos fatos, não permitirá que seus subordinados pratiquem outros atos ilegais. Acredito até que se empenhará em proteger as vítimas, inclusive para melhorar a lastimável imagem que tem sido apresentada perante a opinião pública.
Felizmente a população conta com o apoio de representantes de várias instituições e nunca será demais agradecer a proteção em todos os momentos necessários, do incansável deputado Mauro Rubem, uma das figuras mais atuantes na defesa dos Direitos Humanos, que, ao tomar conhecimento do que ocorria, dirigiu-se para a referida Delegacia e ali passou a noite acompanhando o desenrolar dos procedimentos.
Sei que chegou a hora de fazer o que nunca fiz antes: usar a credibilidade que tenho, adquirida em anos de trabalho sério, primeiro na área do Direito e depois na da cultura, como musicista e escritora, para denunciar e divulgar através desta e dos os meios de comunicação esse terrível acontecimento. Tenho certeza que receberei apoio e solidariedade não apenas dos que me conhecem e acompanham a trajetória de minha família, como dos políticos sérios, das instituições de defesa aos direitos humanos, e também dos que agora estão lendo este depoimento. E pretendo, a partir de agora, participar de algum dos muitos projetos que tentam resgatar a dignidade e o respeito ao cidadão, direito esse constitucionalmente assegurado, mas muitas vezes descumprido, justamente pelos agentes da lei.
Para finalizar, quero dizer da admiração dobrada que sinto neste momento por este filho. Apesar de submetido a humilhações, apesar da agressão sofrida, da noite passada em claro na Delegacia e no IML, e de muitos terem sugerido que como protesto não voltasse ao Carnaval para apresentar os blocos Batuque Revolução e Vida Nova , organizados por ele e pelo grupo que também foi agredido, numa atitude de rara dedicação à causa social que abraçou e em consideração aos membros dos blocos, não apenas fez seu trabalho na noite seguinte, no mesmo local onde foi maltratado, e para poupar a garotada nem contou a eles o que lhe havia acontecido. São atitudes como essa, contrárias às outras, que fazem dele um homem de verdade e de mim, uma mulher orgulhosa do filho que tem.
Quero também enfatizar que é nossa obrigação denunciar abusos e que se fecharmos os olhos ou cruzarmos os braços, as coisas continuarão como estão, com a nossa conivência, e o que aconteceu a meu filho poderá acontecer também ao seu, ou a alguém de sua família. Obrigada pela atenção.
Denise Godoy
Mais sobre a violência policial no carnaval de Goiânia
Caros amigos, colegas e parceiros,
Foi com muita tristeza que assisti a primeira noite do IV Encontro de Blocos de Goiânia terminar na delegacia, com 5 pessoas detidas e outras dezenas machucadas pelas agressões da polícia militar.
Três professores do projeto Lixo Ritmado Batuque Reciclado foram agredidos por policiais, dois deles detidos, dentre eles meu irmão, Thiago. Ao tentar proteger sua esposa, que levava safanões dos cavalos da PM e teve os cabelos puxados por um policial montado, foi reprimido com spray de pimenta no rosto e golpes de cassetete. Foi golpeado e contido por três policiais, algemado e detido, sob a alegação de desacato a autoridade e resistência à prisão.
Minha cunhada e outras tantas pessoas que fotografaram e filmaram o episódio tiveram suas câmeras fotográficas e celulares roubados pelos policiais. Uma amiga foi cercada por 3 policiais montados e um deles disse a ela: "Passa a câmera, vagabunda!!"
Foi triste ver que em quatro anos de Encontro de Blocos no carnaval de Goiânia, esta foi a primeira ocorrência de tumulto, provocado justamente pela instituição que deveria primar pela segurança pública e do público. Mais uma vez a polícia militar dá um exemplo de que ainda convivemos com traços da ditadura no Brasil e mostra como nossa democracia ainda é frágil.
Enfim, no segundo dia do evento, os professores do projeto Lixo Ritmado, mesmo revoltados com o ocorrido e com os corpos ainda doloridos pela agressão sofrida no dia anterior, mantiveram a programação e levaram seus dois blocos de percussão de lixo e sucata (Batuque Revolução e bloco Vida Nova) para se apresentar. As 55 crianças e adolescentes do projeto tocaram bonito e passaram sua mensagem de paz.
Agora estamos mobilizando todas as pessoas envolvidas neste lamentável acontecimento para que esses maus policiais (incluindo o comandante da operação) sejam identificados, julgados e condenados pelos abusos cometidos. De preferência que sejam expulsos da corporação, pois não honram o emprego público que têm. Só assim poderemos voltar a construir este belíssimo movimento de resgate do carnaval de rua de Goiânia. Um evento democrático, que beneficia toda a população e valoriza nossa cultura e grupos artísticos da capital.
Espero, de coração, poder contar com a solidariedade de todos.
Christiano Verano
MITO Projetos Sócio-Culturais
Um monumento ao desperdício 16/02/2010 13:45:34 Leandro Fortes - REVISTA CARTA CAPITAL
Definido por Marconi Perillo, no discurso de inauguração, como “um ícone da Marcha para o Oeste puxada por Juscelino Kubitschek”, o Centro Cultural acabou por se transformar num monumental pepino a cair no colo do governador Alcides Rodrigues, do PP. Ele assumiu o governo em 2006, quando Perillo renunciou para concorrer ao Senado Federal, para então reeleger-se, no mesmo ano, para o cargo, com o apoio do tucano. Hoje, rompido com o antigo aliado, recusa-se a reiniciar as obras antes do pronunciamento final do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o assunto. Herdou, além da obra inacabada, o constrangimento de fazer parte de um calote dado no arquiteto centenário que dá nome ao complexo cultural.
Gerente do projeto, o arquiteto João Niemeyer, sobrinho-neto de Oscar, tentou diversos contatos com o governo de Goiás para receber a parte que falta ao escritório da família – cerca de 200 mil reais, de um total de 2 milhões de reais –, mas não teve sucesso. De acordo com a assessoria do governador Rodrigues, não será possível buscar uma solução antes de saber a decisão final do TCE. Politicamente, isso significa que a coisa ainda deverá demorar um bocado, apesar da idade avançadíssima do principal interessado no caso, justamente o arquiteto que dá nome ao Centro Cultural.
Embora fora do governo estadual, Marconi Perillo, em quase oito anos de mandato, aparelhou politicamente o TCE, onde ainda mantém grande influência, inclusive sobre o relator do processo do Centro Cultural, o conselheiro Naphtali de Souza, também ex-governador do estado. Por essa razão, não há quem aposte numa solução antes das eleições de outubro.
CartaCapital esteve no Centro Cultural. A primeira visão que se tem do lugar é o da pirâmide vermelha bolada pelo arquiteto, uma representação artística feita em favor dos direitos humanos. Exposta ao sol, mas sem manutenção, o monumento desbotou. Virou uma pirâmide rosa. Abaixo dela, galeria e auditório apodrecem aos poucos. As instalações elétricas pendem do teto, as cadeiras estão cobertas de poeira e um dos vidros blindex foi quebrado e substituído por uma placa de compensado de madeira. A sala de exposições levou o nome de Célia Câmara, mãe de Jaime Câmara Júnior, dono da maior rede de comunicação de Goiás, inclusive a TV Anhanguera, retransmissora da TV Globo. Trata-se de um forte aliado de Marconi Perillo.
Nada se compara, no entanto, ao estado geral da biblioteca. Projetada para abrigar 140 mil livros, o prédio, todo de vidro fumê, é um esqueleto gigante onde se abrigam dezenas de fileiras de estantes vazias. A estrutura interna está completamente comprometida pelas infiltrações e pela oxidação das partes metálicas que não foram pintadas, como corrimões e esquadrias de sustentação. Há buracos no forro do teto onde, por entre teias de aranha, despencam fios, canos e luminárias. No terraço, 78 peças de vidro fumê, da época da construção, estão escoradas numa parece onde alguém escreveu, com giz de cera vermelho: “Prove o abandono”.
O mais grave é que, em novembro de 2005, portanto, quatro meses antes da inauguração, o então diretor de Obras Civis da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas (Agetop), Luiz Antonio de Paula, informou ao governo Marconi Perillo da impossibilidade de a biblioteca receber livros. Um ofício assinado por ele, encaminhado ao então presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel), Nasr Nagib Chaul, informava que somente o primeiro pavimento do prédio, de quatro andares, poderia ser utilizado como biblioteca “em face às sobrecargas adotadas pelo calculista estrutural”. Ou seja, se encher de livro, o edifício vem abaixo.
O relatório do TCE, baseado em vistorias e análises contábeis, não só enumera uma grande quantidade de problemas estruturais, de trincamentos a infiltrações nas paredes, como aponta uma série de sobrepreços (superfaturamento) ao longo da construção, orçada, inicialmente, em 37,4 milhões de reais, mas que consumiu, até agora, 60,8 milhões de reais. A construtora contratada pelo governo, Warre Engenharia, calcula que ainda faltam pelo menos 10 milhões de reais para o Centro Cultural ficar, definitivamente, pronto. “Temos todo interesse em concluir o centro, mas não podemos fazer nada até o pronunciamento final do Tribunal de Contas”, justifica Linda Monteiro, atual presidente da Agência de Cultura, a qual o Centro Cultural ficará subordinado, quando pronto.
O senador Marconi Perillo afirma que o abandono do Centro Cultural Oscar Niemeyer foi premeditado por seu sucessor e ex-aliado Alcides Rodrigues a fim de desgastá-lo politicamente. Perillo é candidato ao governo de Goiás nas eleições de outubro e trava uma briga cada vez mais acirrada com Rodrigues. Segundo o senador tucano, “99%” da obra estava concluída quando o complexo foi inaugurado. “O problema é que o governador, que era meu vice e estava na inauguração elogiando o projeto, me traiu”, diz Perillo. “Se eu tivesse continuado no governo, teria concluído o restante da obra em 30 dias”, garante.
“Inaugurei o que estava pronto”, explica, para justificar a entrega da obra ainda inacabada. Segundo o senador, havia o compromisso público de Alcides Rodrigues em não só completar o complexo cultural, mas, também, pagar o arquiteto Oscar Niemeyer. “Eu deixei o dinheiro empenhado para isso”, afirma. “O governador resolveu, por capricho, deixar de terminar uma obra tão importante para o povo de Goiás”, acusa Perillo, com extrema candura a despeito do tom vibrante.
Histórias de Goiás no Picadeiro
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Estudantes e foliões reclamam de violência policial
Segundo os participantes do evento, ao final do show uma das anfitriãs agradeceu a presença das pessoas e se despediu, enquanto os policiais se posicionavam. De acordo com o advogado Gregório Alexandre de Castro, 34, um dos presos acusado de desacatar a autoridade policial, os policiais nada disseram aos participantes do evento. Preocupados em desocupar o local, os policiais partiram para o público com spray de pimenta e cassetetes.
O arrastão promovido pela Polícia Militar deixou pelo menos 20 pessoas feridas. Gregório, por exemplo, foi a vítima com maior escoriações. Após ser preso, ele foi encaminhado ao 1º Distrito Policial, onde desmaiou. Foi levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e ficou constatado traumatismo craniano moderado. Ainda na madrugada, ele foi transferido para o Hospital Neurológico.
Para a esposa do advogado, Osana Rosa de Araújo Castro, 26, que presenciou o marido ser agredido e não pôde fazer nada, a atitude representou um ato de barbaridade. "Os policiais encostaram duas moças e um rapaz num carro e começaram a bater muito. Meu esposo tentou separar e cinco policiais o agrediram até ficar totalmente machucado. O algemaram e o levaram preso", relata Osana.
A Polícia Militar afirma que os policiais tentaram conter um homem que jogou um copo de cerveja em um dos militares. E durante a autuação outras pessoas começaram a agredir os policiais em defesa do jovem que estava sendo preso. "A PM estava tentando evacuar o ambiente, quando um grupo de jovens resistiu", afirmou Bites, major da PM.
A organização do evento tem uma parceria com a PM para que a segurança do local seja assegurada. Segundo as vítimas, os policiais não estavam identificados. Alguns usavam colete a prova de bala e tinham as mangas da farda onde o nome está grafado dobradas. Luciana, professora municipal, foi uma das primeiras vítimas da agressão. Ainda estava em frente ao palco esperando por amigos quando foi atingida nos olhos com spray de pimenta. Permaneceu alguns minutos no chão quando foi recolhida.
Minutos após abrir os olhos, visualizou uma amiga de vestido sendo arrastada por um dos policiais da cavalaria. Após as prisões e a dispersão do público, um grupo de manifestantes se concentrou na porta do 1º DP. Estudantes universitários, familiares dos detidos, vítimas do arrastão, religiosos e o deputado Mauro Rubem (PT) protestaram em frente ao prédio. A polícia, preocupada com um possível motim, acionou reforço policial para a delegacia.
Segundo Mauro Rubem, a atitude policial no incidente é retrato do despreparo. "As vítimas estão sendo tratadas como acusados. É mais uma prova da falta de preparo e de atitudes de preconceito com determinados grupos sociais", afirma o deputado.
A segunda noite de carnaval na Avenida Araguaia no setor Central teve início com a apresentação dos cinco blocos de rua: companhias Boca em Boca, Boca de Lixo, Bumba Meu Boi, Bloco de Pequi e Revolução de Goiânia fizeram a alegria do público.
Rafaela Carvello
http://www.dm.com.br/materias/show/t/estudantes_e_folioes_reclamam_de_violencia_policial
Carta de Descontentamento Pelas ações da Polícia Militar do Estado de Goiás
Domingo, 14 de fevereiro de 2010
Devido a vários fatores, Goiânia não tem uma tradição nacionalmente significativa de carnaval de Rua.
Mesmo assim, uma série de artistas se mobiliza para instituir um carnaval digno e bonito na nossa capital.
Acontece que há muito tempo essa classe suspeita de que o poder público, por alguma razão, apóia precariamente e não promove nosso carnaval de rua.
Na sexta feira passada, na avenida araguaia, ao lado do mutirama, após o show do grupo De Volta ao Samba, mais ou menos meia noite e meia (ou seja, já no sábado), os policias se posicionaram em frente ao palco. Policias “a pé” e cavalaria, sob o comando do tenente Sampaio, porém SEM IDENTIFICAÇÃO individual, e incitaram os foliões a se dispersarem do local.
O fato é que foi muito rápido. Era impossível liberar o local em 5, dez minutos que fosse, e também não há justificativa, vejam bem... NÃO HÁ JUSTIFICATIVA, para o local ser evacuado tão rápido. E se houver, convido as autoridades a nos apresentar.
Algumas pessoas tentaram fotografar e gravar, mas tiveram seus equipamentos furtados pela polícia e destruídos.
Após vários foliões, a grande maioria amigos, serem agredidos com spray de pimenta , cacetetes de borracha, golpes de cavalos, e imobilizações corporais, fomos em forma de protesto, imediatamente ao 1º DP, prestar uma queixa coletiva. A polícia ainda estava tentando reprimir a nossa ação, utilizando de truculência na forma de dirigir as viaturas, bombas de efeito moral, e vários insultos verbais.
É triste trabalharmos com cultura em uma cidade onde somos confundidos por marginais, arruaceiros. E somos espancados sem nenhum motivo, por uma instituição que inicialmente contávamos para garantir a paz, a ordem e a segurança neste evento. E foi a causadora da desordem, insegurança e da agressão de natureza física, verbal, e principalmente moral.
Temos que mobilizar a sociedade para agir. Formar opinião e buscar nossos direitos. Chega de abaixar a cabeça e encarar a polícia apenas como “autoridade”, pois ela deveria ser a segurança do cidadão.
Lastimável.
Abilio Carrascal
Repasse para os amigos que valorizam nossa cultura, e nosso direito de termos uma segurança pública mais digna e mais bem preparada.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cia. Teatro do maleiro
Apresenta O BONECO DE COR part II
DIA 13 DE FEVEREIRO
Horário: 20 horas serviço, 22 horas apresentação.
Contribuição: R$ 20,00 adultos e R$ 10,00 crianças de 4 a 12 anos
Inclui pizzas, refrigerantes, sucos e a apresentação Local: Oficina Cultural Geppetto Rua 1013 n. 467, Setor Pedro Ludovico Tel.: 3241 8447. perto da praça de esporte
CAMINHOS DE PEDRA
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Caminhos de Pedra
Fogareu 99,7 FM e IBRACEConvidam para o lançamento da radionovela:

