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O Cabra que matou as Cabras- Direção: Hélio Fróes |
O caso das Cabeças das cabras...
Faço teatro há um pouco mais de 20, só de Nu tenho quase
quinze.
Quinze anos de arte, pesquisa, imaginação, ralação,
insistência, resistência.
Um dia, conversando sobre as dificuldades da profissão,
principalmente financeiras com minha companheira de trabalho Eliana Santos ela
falou emocionada: FAZER TEATRO É UM ATO DE CORAGEM. Quem vê agente no palco,
figurinados de prontidão,pouco sabe o
que passamos para estar lá, Muito ensaio, repetição, repetição, repetição, em
todos os sentidos, tipo: repetição de cena, repetição de carregar cenário,
repetição do dinheiro faltando no final do mês, repetição de ausência da
família, repetição da eterna pergunta: Ah faz teatro? maisvc trabalha com o
quê?
Mais tem o lado bom, ou melhor:como eu dizia quando achava
uma coisa muito boa na minha infância , tem o lado bótimo, coisas que nem
sempre se dá para explicar com palavras, coisas subjetivas, mágicas que estão
no nosso cotidiano.
Como aconteceu ontem. Ontem reapresentamos um espetáculo que
é muito especial para nós, “O cabra que matou as cabras”. Foi neste espetáculo
que decidimos fazer as nossas grandes apostas, foi nele que eu estreei como
bonequeira, o Hélio na direção, e um monte de outras estreias que hoje
percebemos que deram certo.
O espetáculo tem dez
anos. Engraçado, lembro uma vez de ter assistido um espetáculo maravilhoso
chamado “Vau da sarapalha” dirigido por Luiz Carlos Vasconcelos , no final do
espetáculo eles disseram que estavam fazendo 10 anos de apresentações, lembro
que fiquei encabuladíssima com o tempo
em cartaz. Fico muito feliz por ter a
oportunidade de ter uma experiência desta.
Mais voltando as cabras...
Ontem fomosas 10 horas da manha fazer a montagem do cenário transportando na
nossa fiorino, eu dirigindo, o Hélio de passageiro. No caminho ouvi um barulho
da porta abrindo, falei: a porta abriu!,o Hélio foi olhar a porta estava
fechada, seguimos viajem, descarregamos e montamos cenário ,fizemos compras de
produção, tudo normal.
A tarde, quando voltei do teatro, estava levando um pouco de
coisas que não couberam na primeira viajem, senti falta de uma caixa amarela,
que estava com os 4 bonecos que havia feito manutenção, as cabeças das cabras
que entramos na primeira cena, a cabeça da cabrita do chifres de ouro ( que eu
havia passado a noite inteira anterior dando manutenção) , um quadro e umas
plaquinhas com santos. Começamos a busca , eu estava desesperada, era inexplicável aquela situação, olhamos no
depósito todo, no teatro e nada. Eu
estava procurando no deposito, ligava para o teatro e nenhuma notícia,minha
garganta começou a fechar de tensão, parece que minhas pregas vocais tinham
estourado e que minhas amídalas haviam crescido, não conseguia nem mais falar.
Tive isto 2 vezes na vida. Só nos momentos “Toptensão”, voltei para o teatro
dirigindo, fazendo força para segurar o corpo e o volante, tremendo.
Porra, nós estávamos com tanto tesão, ensaios concentrados, trabalhando em cada pedacinho daquele
cenário surrado, dos bonecos, tanto trabalho, por que ia dar errado??? Por
que??
O Tuim lembrou que havia colocado a caixa na fiorino, e o
Hélio do barulho da porta abrindo, chegaram a conclusão que ela havia abrido e
fechado pelo impulso. O Abílio , o Tuim
e a Adriana foram refazer o caminho que havíamos passado, chegando na praça
universitário, onde a porta havia se abrido, lá estava a grande surpresa: 7
horas depois, isto mesmo, 7 horas depois, a caixa estava lá, arrumadinha, sem nada faltando. NADA.
Alguém (um anjo de candura)viu as coisas espalhadas, juntou,
guardou e deixou lá , para nós buscarmos de volta. Ninguém sacaneou, ninguém
mexeu, estava lá.
Imagine a festa? Se contar ninguém acredita.
Entende por que continuamos???
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