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terça-feira, 7 de junho de 2011

Necessário e exato

Texto de Danilo Danilovitsch


Naquela famosa passagem da epístola que escreveu aos Coríntios, mais conhecida por todos pela sua aplicação voluntária e episódica numa música cujo nome é completamente ignorado por mim, Paulo, o apóstolo cuja santidade, ainda que reconhecida pela Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, é por mim igualmente ignorada, diz que o amor não trata com leviandade. Ainda que eu falasse a língua dos anjos não seria capaz de dar definição deste modo precisa sobre o amor e muito embora não dê crédito à filosofia paulina sou incapaz de rejeitar a beleza poética e a força intelectual de suas epístolas.
Movido por esse comprometido amor que tenho com o teatro fui no sábado, quarto dia do sexto mês deste dois milésimos e undécimo ano da Graça, assistir a Preciso Olhar, peça da Cia Nu Escuro, cuja estreia assisti há dois anos. Algumas coisas foram modificadas desde este longínquo dia. Um trecho foi radicalmente modificado. Um texto lindo de Tenesse Williams. Creio que mais nada de significativo.
O espetáculo é uma colagem de várias cenas curtas costuradas pelos atores e pela reflexão sobre temas como teatro e identidade que deságua em uma reflexão sobre os atores. Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim se despem, por vezes literalmente, em cena para falar sobre quem são e como são.
Duas cenas são louváveis: a sequência enorme do avião e a linda cena de estilos diferentes para a encenação de um tapa. Não me cansaria de os ver esbofeteando-se por horas a fio até que não houvesse mais cara onde se dar um tapa.
Amo a Nu Escuro e não quero ser leviano, pois o amor não trata com leviandade. Sendo uma colagem e um reflexão, uma exploração de linguagem, o espetáculo às vezes perde ritmo. No todo é um bom espetáculo e se torna um espetáculo ótimo para os que acompanham o trabalho da companhia ou conhecem os atores. Sabendo da capacidade de comunicação dos atores e das duas cenas geniais sempre recomendo mesmo para novatos em nuescurices pois não se perde nunca em assisti-los. Mas neste espetáculo é necessária uma dose maior de abertura de mente para aceitar a colagem, a discussão e mesmo a direção de Henrique Rodovalho que cria um ambiente contemporâneo. Aos desavisados: há projeção de vídeo, colagem, paródia e relatos pessoais no espetáculo, todos esses signos da contemporaneidade. O jogo de palavras contido no titulo é outro signo da contemporaneidade: o olhar é uma necessidade, mas deve-se olhar com exatidão.
Não posso ignorar o fato de que o texto do Tenessee Williams me faz muita falta. Era um momento de um lirismo impar. O texto que o substituiu é hibrido e meus sentimentos por ele são também híbridos.
Os patos alaranjados selvagens ainda são meus amores eternos. Um dia hei de roubar um para ter a lembrança feliz sempre palpável comigo.

sábado, 28 de maio de 2011

"PRECISO OLHAR" e "CARRO CAIDO"




FINALIZANDO O PROJETO
DE DENTRO DO CENTRO

DE DENTRO DO CENTRO é uma circulação do repertório da Cia por Goiás, pelos estados que ele faz divisa e também pelo Distrito Federal, estabelecendo um intercâmbio com grupos de teatro destes locais. A Circulação da Cia de Teatro Nu Escuro acontecerá com (05) cinco espetáculos distintos, que se revezarão entre as (07) sete cidades participantes, totalizando (24) vinte e quatro apresentações.

Cidades

Goiânia/ GO

Palmas/ TO

Taguatinga/ DF

Belo Horizonte/ MG

Salvador/ BA

Cuiabá/ MT

Campo Grande/ MS

Espetáculos

Preciso Olhar (2009) dir. Henrique Rodovalho

O Alienista (2006) dir. Hélio Fróes

Envelopes (2005) dir. Izabela Nascente

O Cabra que Matou as Cabras (2004) dir. Hélio Fróes

Carro Caído (1999) dir. Reginaldo Saddi

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

PRECISO OLHAR - CURTA TEMPORADA


CURTA TEMPORADA

PRECISO OLHAR
Dia:12 e 13 de Dezembro de 2009
Horário: Sábado as 21h e domingo as 20h
Local: Centro Cultural Goiânia Ouro
Rua 9 com 3 - Centro
Ingresso:R$ 14,oo a inteira e R$7,00 a meia
Maiores informações: nuescuro@gmail.com
(62) 3289 8732

Preciso Olhar é um trabalho autêntico, escrito coletivamente, e, a seu propósito, toca o tema identidade: identidade humana; identidade dos atores que formam o elenco; identidade da região brasileira em que surge o teatro da Nu Escuro; identidade do próprio teatro. Quanto a esta última identidade, a nova obra pode ser apreciada de diversas maneiras, mas, principalmente, como um espetáculo metalingüístico. Esta qualidade, de falar sobre o teatro através do teatro, pode tornar a peça uma referência na contígua trajetória de elaborações deste grupo. A Cia aposta em uma linguagem contemporânea, que inclui a utilização de vídeos, e uma iluminação muito específica do trabalho de Henrique Rodovalho, mas, mesmo com nova roupagem, o grupo não perde suas características mais marcantes, que o consagraram como uma das mais importantes companhias de teatro de nosso estado: o tom provocativo de seus trabalhos; a invocação a temas recorrentes ao cotidiano do povo brasileiro; e as boas doses de humor.

Identidade psicanalítica

E Entre tantas definições encontradas para a palavra identidade, uma delas caracteriza mais amplamente o que faz a Cia Nu Escuro em Preciso Olhar: “Identidade é o funcionamento do indivíduo no sentido biopsicossocial - suas emoções, pensamentos e comportamentos de acordo com o ambiente em que vive, com a sua maneira de entender o mundo e com sua genética -. É o resultado das influências internas e externas ao longo da vida da pessoa.”

Sob este prima, “Preciso Olhar” também revela a trajetória dos atores, e tudo que os influenciou, individualmente, para se encontrarem no palco da peça, interpretando. Neste momento o expectador conhecerá mais sobre Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim além das relações com o espaço que habitam.

Ficha Técnica- PRECISO OLHAR

Concepção, dramaturgia e direção: Henrique Rodovalho
Textos: Adriana Brito, André Breton, Hélio Fróes, Henrique Rodovalho, Izabela Nascente, Kathryn Woodward, Lázaro Tuim.

Elenco: Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim
Locução (Nadja de André Breton): Bruno Peixoto
Cenário: Letycia Rossi
Figurinos: Caligrafia, por Letycia Rossi
Iluminação: Henrique Rodovalho
Direção de vídeo: Michael Valim
Assistente de direção de vídeo: Gerson Neto
Fotos das camisetas: Lázaro Tuim
Bonecos: Izabela Nascente
Operação de som e luz: Rodrigo Assis
Fotografias do espetáculo: Rubens Cerqueira
Programação visual: Aline Marques
Assessoria de comunicação: Ana Paula Mota
Captação de recursos: Marcelo Carneiro
Produção executiva: Murilo Garcez e Denise Carrijo
Produção: Cia de Teatro Nu Escuro


sábado, 21 de novembro de 2009

PRECISO OLHAR - Festival Goiânia em Cena


Foto: Layza Vasconcelos
Crítica: Prof. Nilton Rodrigues



PRECISO OLHAR - CIA DE TEATRO NU ESCURO

Tenho podido ver, nesta edição do Goiânia Em Cena, alguns espetáculos e até participar ou assistir a um ou outro seminário ou debate, formal ou informal. E tenho gostado. Me embevece ver o desejo de crescimento, a busca da excelência etc... de superar-se. Isso só pode resultar em coisa muito boa. Bom que a cena anda viva. Parabenizo pela realização do festival, parabenizo os participantes. Como cidadão desta urbe, agradeço a oportunidade de ver tanta diversidade, tanta riqueza nessa curta temporada. Quiçá, além de repetir-se este evento, a cada ano, haja mais intercâmbio entre esses artistas, e o poder público não fuja à tarefa de promover as artes e a cultura, e viabilize a vinda de espetáculos de outros centros até esta praça, bem como a ida de espetáculos daqui para outras plagas. Claro, não somente por ocasião desses eventos, mas, regularmente, em qualquer época.
Desejo começar confessando-me Surpreso: O Nu Escuro quebrou a minha expectativa. Esperava o Nu Escuro da rua. Refletindo sobre isso, folheei o minúsculo programa do espetáculo e me deparei com a frase de Mia Couto, utilizada como epigrafe. De certo modo, as coisas se explicam.
Achei bastante curiosa a proposta da estrutura do espetáculo, que parte de uma reflexão sobre o ser e particulariza, paulatinamente, passando para o animal, o homem, simplesmente, depois visto na relação com o seu espaço, o seu espaço físico, daí ao homem goiano, depois o goianiense, até chegar ao indivíduo. Nessa fase, cada um dos atores assume uma personagem que tem o seu próprio nome – não importa se essa personagem remete ou não à individualidade do próprio ator. Estamos de novo na esfera do SER – seus conflitos, seus anseios, seus medos... Reuniversalizamos o enfoque. Estamos tratando do universal porque nosso assunto agora é o nosso próprio quintal.
E nesse percurso se faz uma crítica leve, embora mordaz, aos hábitos comuns de nossa cultura, inclusive a culinária. E a julgar pelos dados informados, como é calórica nossa dieta. No bojo dessa crítica, o espetáculo encontra espaço para falar sobre teatro. E de modo despojado: com uma frase tomada como bordão: “qual é a última coisa que você faria?”, dita, não dá pra saber se de propósito ou não, de modo distorcido: “qual é a última coisa que você NÃO faria?” – Sim, porque a última coisa que qualquer um não faria, talvez seja aquela que faça em primeiro lugar – há um raro momento em que o teatro atinge uma de suas funções mais caras: fazer-nos rir de nós mesmos.
Foi delicioso ver a cena se repetir segundo diversas concepções cênicas. Que prato cheio para uma plateia formada majoritariamente por gente de teatro. E é impossível deixar de ver aí a crítica aos equívocos de “rotulação”, aos modismos, à apreensão apenas da aparência de concepções que nos encantam, mas que talvez devessem amadurecer mais em nós, para que pudéssemos ousar a realização de espetáculos verdadeiramente vivos. Concepções com que talvez jamais nos identifiquemos, mas que não deixam de ser bem-vindas, porque, antropofagamente, teremos de degluti-las, reelaborá-las conforme nossa cultura e reinventá-las a nosso modo. Mas não é por aí que pretendo seguir. Preciso olhar o espetáculo Preciso Olhar.
Quero ressaltar a simplicidade de tudo. Postura, linguagem, elementos da cena, despojamento... E a auto-crítica que a companhia faz em plena cena. Concordo com algumas. Falta criatividade na utilização de aviõezinhos de plástico, industrializados... A cena ficaria belíssima se invadida por aviõezinhos de papel, desses feitos em dobradura simples com que tanto brincamos na infância. Há outros pormenores.
O Hélio Fróes, mais de uma vez, alertou: “gente, falta dramaturgia!”. É aí que mais concordo. Ainda assim, em parte. Tocantes as cenas em que cada uma das personagens/atores fala de si mesma: seus medos, seus bloqueios, seus limites... Que poesia na cena em que Izabela Nascente fala de sua opção por ser atriz.
Mas, no todo, o espetáculo me pareceu carente de unidade. Faltou amarração, transição sem baques, de uma cena para outra. Vi fragmentado o espetáculo, em “saltos”. Mais ou menos assim, como este comentário. Desculpem. É que eu sou aprendiz de plateia. E me dou por satisfeito se puder contribuir, ainda que minimamente, para que esses meninos (se me permitem chamá-los assim) que vivem tão seriamente a opção que fizeram, prossigam em sua jornada, trazendo sempre espetáculos de altíssimo nível.
E que continuem nos surpreendendo.
Obrigado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

NU ESCURO NO 8ª TENPO




Divulgada lista dos espetáculos selecionados para a 8ª Mostra de Teatro de Porangatu


A Agência Goiana de Cultura (Agepel) divulga a relação dos espetáculos selecionados para apresentação na 8ª Mostra de Teatro Nacional de Porangatu - TeNpo, que acontece de 10 a 15 de novembro próximo.

Foram inscritos nesta edição 33 produções, das quais selecionadas 12 atrações, entre espetáculos infantis, adulto, de circo e performances. Não houve inscrições de Brasília e do Tocantins.

A curadoria foi composta pelo diretor de teatro Sandro di Lima, a jornalista Valbene Bezerra, do jornal O Popular, e da atriz e produtora cultural Fernanda Fernandes.

Os critérios de avaliação levaram em conta a qualidade das produções, a dramaturgia, o trabalho de pesquisa e a consistência da produção, contemplando a diversidade das três linguagens cênicas: teatro, dança e circo.

Confira abaixo a relação dos selecionados:

Adultos:

  1. Boi - Ator: Guido Campos – Direção e adaptação: Hugo Rodas
  2. Preciso Olhar – Cia de Teatro Nu Escuro – Direção: Henrique Rodovalho
  3. Balanço – Ator: Bruno Peixoto – Direção: Edson de Oliveira
  4. O Giro da Criatura – Direção: Grupo Teatral Olho da Rua com participação de Constantino Isidório
  5. Macário – Companhia Teatral Oops – Direção: João Bosco Amaral
  6. Perfume para Argamassa – Atores: Kleber Damaso e Viviane Domingues

Porangatu:

  1. Os Saltimbancos – Grupo de Teatro Trem de Doido – Direção: Leandro Martins

Infantis:

  1. Chiquinha, a Fofoqueira. – Grupo Teatro Zabriskie – Criação e Atuação: Alexandre Augusto e Ana Cristina Evangelista
  2. História de Goiás no Picadeiro – Circo Lahêto – Direço: Maneco Maracá

Performances:

  1. A Dama da Noite – Companhia de Teatro Sala 3
  2. Drumonzinho – Cia de Teatro Novo Ato – Direção: Luiz Cláudio
  3. Nervos a Beira de um Ataque de Mulheres – Atriz: Joeslaine dde Oliveira Sousa – Direção: Pablo Angelino e Nando Rocha (Para Abertura Oficial)

domingo, 18 de outubro de 2009

ESPETÁCULO TRANSMITIDO AO VIVO NESTE BLOG

Não perca,

Espetáculo PRECISO OLHAR
FESTIVAL GOIÂNIA EM CENA 2009
Local: TEATRO DA CATÓLICA - PROXIMO AO SETOR UNIVERSITÁRIO
Dia: 21 de Outubro
Horário: 19h


Interessados em novas tecnologias a serviço do teatro a CIA DE TEATRO NU ESCURO pela terceira vez coloca a disposição do grande público virtual a transmissão ao vivo do espetáculo PRECISO OLHAR. É só acessar o blog no horário da apresentação. Anota aí:
PRECISO OLHAR AS 19 HORAS Neste blog.

Assista e deixe seu comentário!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mostra Local - Goiânia em Cena 2009

Saiu o resultado da seleção para o Goiânia em Cena 2009 dos grupos de Goiânia.

Comissão de Seleção: Agnaldo de Sousa (Paraná), Fernando Villar (Brasília) e Claudio Cajaiba (Bahia):


Mostra Palco - Espetáculos selecionados
Boi - Sertão Teatro Infinito Cia.
História de Goiás no Picadeiro - Circo Lahetô
Indecência - Cia. Benedita
Preciso Olhar - Cia de Teatro Nu Escuro
Primeiros Movimentos - Cia. Quasar Jovem
Travessia II, de tão longe venho vindo - Grupo Teatro Ritual

Mostra Palco - Espetáculos suplentes
Estudos sobre autenticidade - Contato Grupo de Dança
Cenas do Despertar da Primavera - Grupo Máskara

Mostra de Rua - Espetáculos selecionados
O circo, a luneta e o planeta - Sapequinha Trupe Show
Perfume para argamassa - Kleber Damaso e Viviane Domingues
Txuu - Looso, Raio de Sol - Grupo de Theatro Arte e Fogo
Viagem ao coração da cidade - Anthropos Cia. de Arte

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Funcionou!

Sucesso a transmissão ao vivo pelo nosso blog do último dia da temporada do espetáculo PRECISO OLHAR no Teatro Goiânia Ouro!

Mostrou o aquecimento dos atores, a entrada do público e a desmontagem do cenário, além do espetáculo é claro!!!


O responsável foi o grande parceiro do grupo: Rodrigo "Horse" Assis!


Valeu!
Com certeza faremos outras destas!!!

domingo, 26 de julho de 2009

Transmissão ao vivo preciso olhar

Hoje as 20 horas o espetaculo PRECISO OLHAR da Cia de teatro Nu Escuro será transmitido pela internet direto do Teatro Goiânia Ouro as 20:00 horas. Mas o link já estar on line as 19:45

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vídeo "preciso olhar"


"Quem sou? Se recorresse a um dito popular, tudo não se resumiria em saber “com quem ando”? Devo confessar que essa expressão me perturba um pouco, pois tende a estabelecer entre mim e certos seres relações mais singulares, menos evitáveis, mais perturbadoras do que poderia imaginar. Diz muito mais do que quer dizer, me faz desempenhar em vida o papel de um fantasma, alude evidentemente ao que eu deveria deixar de ser para ser quem sou."

André Breton




PRECISO OLHAR
de henrique rodovalho

Dias 24, 25 e 26 de julho
sex e sáb - 21 horas
dom - 20 horas
Teatro Goiânia Ouro

quarta-feira, 8 de julho de 2009

“preciso olhar” de volta em cartaz!



Marquem em suas agendas:


O Espetáculo da
CIA DE TEATRO NU ESCURO,
dirigida por
HENRIQUE RODOVALHO,

preciso olhar

Foto Rubens Cerqueira
Entra em cartaz nos dias 24, 25 e 26 de julho!
Sexta e Sábado às 21 horas
Domingo às 20 horas
No Teatro Goiânia Ouro

Assistam aqui os autorretrados que fizeram parte da pesquisa do espetáculo:
Autorretratos

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Digital do território do eu

Uma resenha da estréia do novo espetáculo da Cia de Teatro Nu Escuro

Enfim saiu! Duras semanas de ensaios, muita concentração, dedicação, disposição, e, depois de uma boa gozada,o prazer e a emoção. A experiente Cia de Teatro Nu Escuro estreou seu novo espetáculo, “Preciso Olhar” , direção de Henrique Rodovalho, algo muito esperado pela cena local. Como resultado desse anunciado, uma boa apresentação, que não receberia um excelente ainda pelo fato de ser o inicio de um grande feito e com possibilidades de mudanças nas apresentações que ainda estão por vim.

A mistura de olhares foi o grande marco deste espetáculo e o resultado foi a miscelânea de linguagens em torno de um foco: identidade. Rodovalho como convidado especial atendeu as expectativas e soube dirigir tecnicamente e conceitualmente essa grande obra. No entanto, confesso que me deu um friozinho na barriga em ver esse resultado de olhares se edificando. Fui um dos pouco que teve a oportunidade de ver antecipadamente o processo em construção e nos ensaio gerais pude perceber que a obra ainda não tinha terminado. Não conseguia ainda perceber seu estilo – se é que é preciso definir algo; um drama, uma comédia, teatro contemporâneo, dança-teatro, não sei, mas algo que pudesse nos instigar a saber o que poderia sair em um encontro interessante de boas cabeças.

Nas apresentações a surpresa; um espécie de drama- comédia. Não nega-se a dosagem cômica da peça, não sei se intencional, mas a resposta do público foi de muitos risos e boas gargalhadas, um resultado comum para a Cia. De inicio até achei alguns textos longos e dispersos, no entanto, se tornou útil para quebrar essa toada cômica do espetáculo.O Drama, fica por conta dos textos dos “eus”, onde os atores puderam dar o melhor de si, digo literalmente, pois a peça simplesmente dá o olhar intimo de cada ator ou cada personagem nesse caso.

As atuações, um grande desafio; interpretar –se como personagem, uma grande lição para a trupe, pois falar de nos mesmos não é fácil. Nisso todos fizeram bem seus “próprios” papeis. Tuim, com surpreendentes movimentos teve uma atuação destacada; Adriana, em seus dasabafos emotivos sempre bem gestuosos, uma experiente atriz; Hélio Fróes, um cara objetivo e com personalidade; enfim, minha amiga Izabela Nascente, adoravelmente apaixonada, onde pude sentir emoção e verdade, dosada claro de certa tensão e até descontração, mas ao falar de si explorou as coisas que tem paixão, sua família, suas marcas e suas loucuras, foi muito bem obrigado.

Mas a peça não é só um divã oportuno para os atores e o diretor, ela pronuncia sobre nossa cidade, nosso espaço cotidiano, que por acaso é de quase todos que assistiram o espetáculo na estréia. Não foi mais um grupo ou artista falando de Goiânia e Goiás, típico bairrismo muito valorizada pela goianidade de plantão, mas o tom cômico e até irônico nos instigou a ter mais vontade de saber mais sobre nossa identidade e nossas coisas, algo que alguém de fora não se incomodaria pela sutileza que foi dada.

A composição cênica com intervenções áudio-visuais misturada com a definição objetiva da luz, recheada com boa atuação e direção, não resta dúvida que merece atenção da critica teatral, dos fazedores e apreciadores dessa arte. Vale a pena a ver e conhecer esse olhar, nossa digital artística e filosófica...
Intés.

Bruno Garajau Dantas – Historiador, ativista cultural. Um goiano; apreciador da arte teatral

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Identidade

Cena de "Preciso Olhar" da Nu Escuro: hora de discutir a relação.
Foto de Rubens Cerqueira


A Cia. de Teatro Nu Escuro surgiu como núcleo de teatro na ex-ETFG na década de 1990. Apesar de Henrique Rodovalho ter sido professor na instituição, o convite para direção de uma montagem foi feito uma década depois.

A mais nova criação é algo inédito para o repertório da companhia. A começar pela direção que é assinada pelo renomado coreógrafo Rodovalho, da Quasar. Além de inexistir no palco personagens e, sim, personalidades.

Ao adentrar a sala de espetáculo, o público reconhece o estilo rodovalhiano de configurar um palco clean. Ele exercita a mescla do audiovisual e artes cênicas, junto com Michael Valim, criando uma instalação em vídeo com imagens de partes dos corpos dos atores, mas não desdobra o suporte e segue exibindo vídeos ao longo do espetáculo.

O público não deve esperar ver dança, dança-teatro ou qualquer outra variação das linguagens. Preciso Olhar é classificável como um bom exemplo de peça de teatro, embora a contemporaneidade mostre que rotular é perigoso, afinal, a proposta da Nu Escuro é apenas bater um papo franco e direto (ou quase uma “lavação de roupa suja”).

Fica ligeiramente incômodo ouvir confissões vindas de Adriana Brito, Hélio Fróes, Izabela Nascente e Lázaro Tuim, nomes próprios no palco e fora dele. Antes de abordar o indivíduo, a Cia. faz um recorte do conceito de ser humano (e goiano) e o localiza geograficamente na cartografia abdominal de Tuim.

Para quem se acostumou a “morrer de rir” nos espetáculos da companhia, vai ter que se contentar a se divertir com doses homeopáticas de bom humor, mas que ainda estão rigorosamente dentro do padrão de qualidade da Nu Escuro. As piadas estão entranhadas na apropriação dos discursos jornalístico, publicitário, teatral etc. dos inúmeros esquetes que os atores encenam para se desafiarem e questionarem a linguagem do teatro. Impagável o Rap da Enfezada. Isso tem que ser publicado no YouTube.

O cenário, embora tenha uma carga de informação necessária à montagem, parece ter tido problema de execução e não compôs harmonicamente o conjunto da obra, inclusive dificultou a visualização das projeções. Letycia Rossi criou um figurino que foi além da identidade e expressou intimidade. Preciso Olhar é espetáculo que a gente “precisa ver” de novo, para olhar mais atentamente o ser humano que se desnuda e mostra tudo aquilo que julga pertencer a sua identidade.

Rafael Ventuna
Especial para o DMRevista
Diario da Manha
01 de abril de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Últimas chuvas

Juro que fiquei apreensivo com a estréia de Preciso Olhar. Cheguei no Teatro Goiânia preocupado, como se eu fizesse parte da Cia. Nu Escuro e, por isso, tivesse nas mão uma responsabilidade enorme. Mas apreensão por que? Pela “novidade” que o Hélio Fróes tinha me falado que seria o espetáculo? Pela direção do Henrique Rodovalho?
Sei lá... acho que, na verdade, pelo fato de ter acompanhado mais ou menos de perto a história do grupo e por saber que Preciso Olhar é um espetáculo que viaja por praias nunca dantes viajadas por ele. Acho que foi por isso a apreensão. Mas eu tava sentado numa poltrona do Teatro Goiânia. Do meu lado, um amigo, Estevão, estudante de Psciologia. Ficamos, os dois, ligados no espetáculo, como se aquilo fosse nosso.
O Estevão pensava (e eu também, pra que negar?), que viria um espetáculo daqueles contemporâneos, desses que estão na moda e que eu não entendo quase nada. Falei para os amigos dos grupos Ritual e Oops, que, pelo fato deu não ter feito o teste do pezinho, meu retardamento era evidente e, nesse caso, para entender o contemporâneo, eu precisaria de uma cartilha explicando tudo direitinho.
Nem tanto, né? Nem tanto! Entendi Preciso Olhar, sem necessidade da tal cartilha. Texto massa, direção precisa, atuações na medida, dos quatro atores. Tudo numa sintonia bacana, típica das coisas do Rodovalho, profissional, ensaiado à exaustão. E típico também do Nu Escuro, já que os caras do grupo ralam mesmo e todas suas montagens são, para mim, na minha ótica, de excelente qualidade.
Não preciso dizer mais nada. O Estevão saiu do Teatro entusiasmado: “Véi, amanhã eu volto. Faz tempo não via uma peça tão boa. Pra falar a verdade, nunca vi em Goiás, um espetáculo tão correto”. Não preciso. Falar. Mais nada. Não preciso. Preciso olhar. Ah, lá isso eu preciso muito. Sempre. De preferência esses espetáculos precisos.


Carlos Brandão
Goiânia, março, últimas chuvas

sexta-feira, 20 de março de 2009

Será só imaginação?

Olá amigos,

Saiu um comentário da peça "preciso olhar" no blog Será só imaginação?:
http://www.mayaravilaboa.blogspot.com

Da jornalista Mayara Vilaboa.
Confiram!


Preciso Olhar, a versatilidade em cena


Fotos: Rubens Cerqueira

Eles já foram trapaceiros no “Cabra que matou as cabras”, contadores de causos em “Carro caído”, loucos no “Alienista”, bonecos em “Envelopes”, governadores e escravos em “Seu Palácio conta estória”, isso dentre tantas outras coisas... Agora eles são Hélio Fróes, Adriana Brito, Izabela Nascente e Lázaro Tuim procurando uma identidade em “Preciso Olhar”.
Gente como a gente. Hélio tem hiperhidrose, Adriana assiste filmes antigos, Izabela se prostitui para suas personagens e Tuim tem vergonha dos quilinhos a mais. E tudo isso em cena. Os atores se desnudam no palco. Pra falar a verdade, essa é a palavra: desnudar.
A peça, com direção de Henrique Rodovalho, começa com a projeção de um vídeo em que aparecem os quatro atores, cada um em um canto da tela. Uma parte do corpo de cada vez. Vamos descobrindo os olhos, a boca, o peito, a barriga, a perna, as cicatrizes e tatuagens de cada um. Partes de um todo.
Seres humanos dotados de capacidade de se socializar, principalmente se o motivo for bom, isto é: uma fêmea. Bem vindos ao Discovery Channel da Cia. Nu Escuro, uma voz, muito parecida com a de programas sobre vida animal, narra as ações dos atores na primeira cena, que se mostram exímios representantes de nossa espécie.
Os atores fazem parte de um mundo particular que transforma cada um de nós e caracteriza nosso regionalismo. Quatro pessoas que representam o todo. Do planeta Terra à Goiás, somos um Estado cercado por outros cinco. Temos cidades terminadas com “lândia”, como Damolândia, Doverlândia, o Distrito Federal está em nosso território e ainda há as turísticas Caldas Novas, Goiás e Pirenópolis. Goianos do pé rachado, que se transformaram, deixaram o carro de boi de lado e agora andam de Hilux e escutam Leonardo.
E se tem a busca por uma identidade como ser humano e como um ser inserido em uma sociedade, tem também a busca de uma identidade enquanto atores. Tudo começa com uma cena narrada por Adriana Brito, com direito a avião caindo, um casal brigão, um amigo intrometido, um outro que vive debaixo da saia da avó, uma velha que só fala de doenças e uma aeromoça que usa de toda a sua sensualidade para mandar os passageiros colocarem o cinto de segurnaça. Depois de toda essa mistureba os atores resolvem questionar o teatro.
Essa é uma das melhores partes da peça. Nesse momento a companhia mostra que conhece e transita bem por diferentes tipos de teatro, do apelo sexual de Nelson Rodrigues à grande expressividade do teatro de rua em uma única frase.
Com essa peça, a Cia. Nu Escuro mostra mais uma vez que tem uma identidade versátil, capaz de combinar diferentes linguagens e que atores e direção estão afinados, trabalhando em perfeita harmonia. Quem não assistiu a peça, precisa olhar...

“Preciso olhar” estreou dia 15 de março no Teatro Goiânia.

Textos e imagens desse blog só podem ser publicados e/ou utilizados em outros locais com autorização da autora.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mais fotos de Rubens Cerqueira

Izabela Nascente


Lázaro Tuim


Adriana Brito



Hélio Fróes

Fostos de Rubens Cerqueira

Lázaro Tuim e Adriana Brito.
"Fica comigo como a chuva" de Tennessee Willians


Adriana Brito e Izabela Nascente na primeira cena da peça.


Rap da enfezada.


Hélio Fróes e um pouco do cenário de Letycia Rossi, que também assina os figurinos.



"preciso olhar"
direção de Henrique Rodovalho.

domingo, 15 de março de 2009

Estreou!


Foto de Rubens Cerqueira, que veio especialmente para Goiânia fotografar o espetáculo.
Muito obrigado Rubinho!!!
Hoje tem mais no Teatro Goiânia às 20 horas.
Compareçam!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Está chegando a hora!

Foto de Bruno Garajau


Estréia neste final de semana!!!
Teatro Goiânia
Sábado às 21 horas
Domingo às 20 horas
R$ 20,00 (inteira)
R$ 10,00 (meia)

Ingressos já estão a no Teatro Goiânia.
Todos os dias a partir da 14 horas.